07 fev
2011
  
Buscando a si mesmo
   por R² | Relacionamentos
 


Às vezes a troca de experiência de vida acontece onde menos esperamos. Quero compartilhar com vocês esta, em especial, que tem muito a ver com o tema.


Em um determinado dia entrou em minha sala uma senhora de meia idade, muito bonita, bem vestida e bastante simpática. Apresentou-se como uma nova colaboradora da filial de Porto Alegre e que estava lá para fazer o treinamento de integração. Era rotina os novos colaboradores fazerem aquele treinamento. Lembrei-me do nome dela da lista de pessoas escaladas para aquela data. Muito legal como às vezes tentamos imaginar como é a pessoa fisicamente por trás de um determinado nome, o mesmo acontece com a voz e sempre nos surpreendemos. A conversa foi desenrolando com amenidades sem importância.


Como era início do ano, o assunto férias apareceu e ela comentou que tinha quatro filhos e que havia passado as festas em João Pessoa. Perguntei: “Divertiram-se?” “Não, foi horrível” respondeu. Fiquei intrigado e não pude deixar de perguntar o porque. Ela respondeu: “Estava sozinha, sem ninguém para curtir junto.” Respondi apenas: “Ah”.  Não avançaria mais, mas ela continuou. Às vezes a gente conta coisas a estranhos  que não contaria nem a mais íntima das pessoas.


Ela contou que o marido a havia deixado há dois meses. “Dei a ele os melhores anos de minha vida!” – disse ela -fiquei imaginando como isso seria possível. “Dei-lhe filhos lindos! Dei-lhe uma casa magnífica e sempre a mantinha limpa”. Disse que nunca tinha deixado os filhos se atrasarem para o colégio, que era uma cozinheira excelente, que frequentava academia e procurava fazer esportes, para se manter bonita e jovem para ele – e foi indo – “sempre procurei fazer coisas novas e me manter aberta com relação ao sexo para ele.”


Ela não parava mais. O “dele” ou “para ele” inundavam suas frases. Comecei a sentir pena dela. Ela não estava mais na conversa! Todas as coisas que tinha se agarrado e considerado essenciais para o seu relacionamento eram coisas pelas quais ele poderia ter pago.


Ela tinha perdido o seu ego! Não tinha dado ao marido o encanto que provavelmente teria provocado o casamento deles: ela própria. Todos nós nos apaixonamos por alguém, quando este alguém vai embora a paixão vai com ela. Ela lhe dava boa comida – ele poderia ter ido a um restaurante! Isso assusta né?
Ela tinha se esquecido do essencial: da magia, do mistério, do que não é descoberto ou do que se descobre com intimidade. Tirou dele a necessidade de conquistar e principalmente, abriu mão de ser conquistada.


Não resisti e perguntei: “ O que fazia por si mesma?” “Como assim? O que quer dizer?” – ela respondeu - “Não havia tempo para fazer nada por mim!” Perguntei a ela: “o que gostaria de ter feito?” “Ah sempre quis gritar de alegria ou tristeza, explodir de vez em quando,  sair com amigas, conhecer coisas novas...”


Se ela tivesse gritado, explodido por alguns segundos  e ter descoberto outras janelas pelas quais se pode ver o mundo, talvez.... Ela não sabia que ela era essencial ao relacionamento. Fazer as coisas 100% voltadas para o marido é o que sua família, a cultura haviam lhe ensinado como essencial para o casamento. Ela representava um papel e tinha se perdido de si mesma dentro dele.


A conversa continuou e sabemos o final da história: marido conhece moça interessante no escritório, que não se preocupa com o pó e não liga a mínima se o seu colarinho está amaçado.


Sabe o que ela nunca se perguntou: qual o seu valor? Quais as suas necessidades? Quais as coisas essenciais dentro dela?


Sou apaixonado pela singularidade das pessoas e uma coisa que me assusta é como as pessoas abrem mão de serem elas mesmas tão facilmente, imaginando que o outro a aceitaria melhor determinado personagem. Ao menos pergunte à outra pessoa se aquele personagem o atrai – não que isto seja uma alternativa válida – mas além de ser mais honesto com a pessoa e consigo mesmo, pode reduzir as perdas futuras e principalmente o tempo, que não volta atrás.


Com os relacionamentos as pessoas fazem o inverso. Relacionamento é plural. Só existe entre duas ou mais pessoas, então porque insistimos em sair dele, fazendo com que apenas uma pessoa seja protagonista? E ainda tem a máxima que os opostos se atraem. A maioria das pessoas acredita nisto, mas esforçam-se para serem iguais. Não dá para entender!


O fato é este! Não é raro, ao contrário, é o mais comum. Duas pessoas se apaixonam, mas de repente somente uma fica no relacionamento. A outra não tem mais como crescer como ser humano. A lei da reciprocidade furou! Não tem mais com quem compartilhar seus sonhos e fantasias. Perde o instinto predador e se acomoda a não ter que brigar, lutar, conquistar suas próprias escolhas. Para de crescer! De repente, ao se olhar no espelho as rugas nos dizem que o tempo passou e não avançamos. Isto não é o pior! Pior é quando olhamos para o lado e vemos a pessoa pela qual fomos apaixonados da mesma forma. Não importa se foi você ou a outra pessoa que em algum momento perdeu o ego. No final, salvo vários desencontros e casos extras pelo caminho, os dois perdem.


Se você se acha um bom amante, mas não sabe quais são os seu valores ou o que é realmente essencial dentro de si, pense nisto! Se você é realmente um bom amante vai querer dar o melhor de você para o outro. Se você não sabe qual o seu melhor ou acha que não o possui, lamento, mas comece logo a procura-lo! Não perca tempo com personagens, sempre haverá um capítulo final para eles. Claro que nem todos vão gostar do seu melhor, mas tenha certeza que os que gostarem estarão contigo para sempre.


É simples nos perdermos em nossos personagens. Não há como nos perdermos de nós mesmos. Podemos em alguns momentos nos sentirmos sozinhos ou frágeis, mas logo nos encontramos de novo por um motivo óbvio: sempre estaremos próximos.


Não sou religioso, mas bastante curioso e às vezes fico buscando coisas interessantes que possam servir como inspiração para escrever ou simplesmente aprender. Descobri que existem inúmeros pontos em comum entre os livros sagrados de várias religiões. São muitos mesmo, mas os ligados a singularidade e ao “ser” chamam mais a minha atenção. Na Bíblia Jesus disse: “ Se quiser encontrar a vida, terá de procurar dentro de si”. Buda disse o mesmo, os livros sagrados hebraicos dizem o mesmo, até o Alcorão fala a respeito! Legal né?


A maior briga de todos os tempos é a nossa com a gente mesmo. Não existe um adversário mais fraco ou mais poderoso do que o “eu”. Se quiser encontrar respostas sobre você, busque-as diretamente na fonte.

 
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 29 dez
2010
  
Ano Novo Vida Nova!
   por R² | Relacionamentos
 


2010 chegando ao fim, é tempo de recomeçar! Todos buscando forças no que deu certo e aprendendo com o que não foi tão legal assim em 2010.


O ano 2011 está chegando tão rápido quanto a partida deste ano. Parece que cada vez mais o tempo se acelera. A correria do dia-a-dia, trabalho, consumismo, sonhos, planejamentos, metas, sucessos, fracassos tudo a nossa volta parece se movimentar em uma velocidade extraordinária. As vezes tenho a sensação de que se fechar os olhos por dois segundos é possível que não saiba mais onde estou ao abri-los.


Muitos não gostam da velocidade que o tempo nos impõe, mas o fato é que ele é a realidade pura. Não sei vocês, mas como um apaixonado pela vida, qualquer tipo de realidade me fascina, principalmente as que se originam de fantasias e sonhos.


O sonho talvez seja o poder mais presente que a criança, que um dia fomos, nos deixou. Quando adultos, aperfeiçoamos este poder e agora podemos transformar todos eles em realidade. Parece fácil, né? Mas não é. Para que isto seja de fato realidade e se torne parte da vida, é preciso resgatarmos outros poderes deixados para trás, em nossa infância: acreditar que é possível, ter a si mesmo como aliado, não render-se ao medo, não importar-se com o não saber, buscando aprender sempre. Palavras maduras, que talvez as crianças não saibam o significado, mas tenho certeza que possuem uma prática muito mais apurada do que a nossa sobre elas.


O ser humano passa a vida buscando sua maturidade plena e o reconhecimento dos outros com relação a própria responsabilidade e a própria condição de adulto.Afasta-se cada vez mais daquela criança corajosa, sonhadora, curiosa e absolutamente transparente.


O engraçado é que a paz e a felicidade que estas pessoas procuram estão justamente naquela criança que deixaram para traz.


A maioria das pessoas se desfaz da qualidade de criança preenchendo o espaço com qualidades que julgam ser de adultos. Fazem uma força incrível para deixar o passado para trás, como se ele não fizesse parte de nossas vidas. Promessas de fim de ano trazem quase sempre o recomeço de algo, como se isto fosse possível.


Tudo o que passamos nos transformou no que somos hoje e se não estamos satisfeitos, ao invés de esquecer o passado, devemos utiliza-lo para nos transformar em algo melhor.


A criança não pode ficar para trás. Ela deve nos acompanhar para sempre. Ao invés de nos desfazermos daquelas características aparentemente frágeis, por que não as aprimoramos simplesmente? Por que não acrescentamos na capacidade de sonhar, também o poder de torna-lo realidade? Por que não somamos a coragem descuidada de uma criança com a nossa capacidade de analisar riscos? Por que não transformamos aquela sinceridade ingênua da infância em um poder fabuloso de construção da nossa singularidade? Por que não assumimos de forma humilde que precisamos uns dos outros, ao invés de transformamos nossa essência, buscando aceitação e atenção?


Leo Buscaglia, em seu livro Vivendo, Amando e Aprendendo nos dá uma frase que cabe direitinho neste texto:


 “Pensamos que para sermos adultos temos de ser independentes e não precisar de ninguém. E é por isso que estamos morrendo de solidão.”


Pior que isto é apenas uma parte do problema, porque se resolvêssemos não precisar de ninguém e assumíssemos isto como uma referência singular, ok! Mas, o fato é que já sabemos que não vivemos sozinhos e como não temos a coragem de dizer simplesmente – “preciso de você”, buscamos outros caminhos que vão nos esvaziando por dentro. Abrimos mão, quase sem perceber, de sermos quem somos para sermos quem achamos que gostaríam que fossemos. Isto vale para o trabalho, amor, tudo.... Não me assusta a quantidade de separações..... Quando apaixonados, somos a criança que se entrega. Já no estado sóbrio de relacionamento nossa sede por aceitação vai nos fechando em casulos.


Esquecer o passado, deixa-lo para traz é como tentar se desfazer de nossa vida antiga e inventarmos uma nova. Além de ser impossível, isto pode ser muito idiota. Esquecer o passado significa ignorar os próprios erros, abdicar do direito de corrigi-los e fazer diferente.


Não é possível viver várias vidas em uma. Não é possível renascer, mas é perfeitamente esperado que o ser humano possa reinventar-se constantemente, aprender sempre com os erros  e tentar de novo. Não renascer, mas reinventar-se!


Já repararam como os idosos se parecem com crianças? É como se passássemos a vida correndo para longe de nós mesmos buscando algo que sempre esteve conosco.


Quem gostaria de voltar aos 18 anos, mas abrindo mão do que acumulou como experiência e aprendizado? Eu não!


Voltaria a ter 18 certamente, mas desde que tudo o que aprendi e acumulei ao longo destes anos continuasse comigo. Caso contrário, muito obrigado!


Mas, se fosse possível.... Já pensaram nisto? O corpo e a pureza de uma criança aperfeiçoados com a vivência de um adulto...


Poder demais para os seres humanos ou apenas o sonho de uma criança grande!

 
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 11 dez
2010
  
Eu preciso saber...por Tati Bernardi
   por Juliana | Relacionamentos
 


Descobri essa escritora \"sensacional\" esses dias...Não a conheço pessoalmente, mas como ela é amiga da minha amiga...trabalha com meu vizinho...conhecida de outras amigas....Talvez eu até conheça! O que importa é que os textos dela são uma riqueza de diversão! Diversão da realidade! Aqui vai um muito bom que ilustra situaçãoes que todas nós, pelo menos uma vez, já passamos!


A recaída de amor acontece como num daqueles pesadelos que se está caindo. De repente você acorda sentado na cama:


Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu já estava tão bem há semanas. Volte a dormir, volte a dormir. Você já tinha decidido lembra?


Nada a ver com você, chato, bobo, não deu certo. Mas eu preciso saber.


Não, não precisa. Pra quê? Vai te machucar. Não!


Eu preciso saber. Então levanto da cama.


Facebook, a desgraça em formato de parquinho virtual. Nome dele, aparece a foto azulada e ele de perfil. É tão bonito. Mas não há mais nada que eu possa ver. Nos deletamos mutuamente pra evitar justamente esse tipo de inspecão noturna.


Mas isso não vai ficar assim. Ligo pra nossa amiga em comum. Ela não atende, afinal, são duas da manhã. Mando mensagem \"me manda sua senha do Facebook agora ou vou ficar te ligando até amanhã cedo\". Ela manda a senha e um palavrão. Acesso. Vamos ver. Eu preciso saber. Eu preciso. Então vejo que ele não posta nada há cinco semanas. Fotos, fotos. A única foto nova é o flyer de uma festa que eu fui e ele não estava. Nada.


Jogo o nome dele no Google. Aparece uma foto dele alcoolizado dando entrevista em uma festa de mídia. Como é lindo. Tento o Twitter mas ele só escreve piada de político. Tento o Facebook, Twitter e blogs de amigos. Está ficando tarde. Se eu tivesse essa mesma concentração e minuciosidade e empenho e energia para o trabalho estaria rica. Estou retesadamente motivada e atenta. Mas não consegui nenhuma informação e eu ainda preciso saber.


São seis da manhã. Estou cansada. Coloco a música de quando você forçou a porta do quarto e entrou. Black Swan. Não sou boa de inglês como você, mas sei que é a história de algo que já começou fodido porque cresceu demais antes da hora, você que pegue um trem e suma daqui. Que bela música pra começar. Ok, agora estou chorando. Lembrei que eu me sentia tão viva com você me olhando bem sério e bem no fundo dos olhos e machucando meu braço. Sim, é definitivamente uma recaída e eu acabo de decidir que te amo mais que tudo no universo e que amanhã, ou hoje, porque já são sete e meia da manhã, vou resolver isso. Agora preciso dormir só um pouquinho.


Volto pra cama. Coração disparado. Não tem posição na cama. O que eu faço? Não tô a fim de ler, não tô a fim de ver TV. Aquelas outras coisas que se faz pra acalmar tô com preguiça agora, minha imaginação está indo toda para traçar um plano para que eu descubra. Descubra o quê? Não sei, mas sei que algo está acontecendo, ou eu não estaria assim. Porque eu sinto quando ele está com alguém, sabe? Eu sinto. Sim! A cartomante!


Ligo pra Zuleide. Você atende hoje? Mas é domingo, Tati! Atende? Só se for por telefone. Tá bom, então joga aí: ele está com alguém? Mas Tati, você quer mesmo saber isso? Quero, mulher. Eu preciso saber. Joga aí: ele está com alguma puta? Tati, eu não posso perguntar isso pras cartas. Pergunta aí: ele tá com alguma piranhuda desgraçada vagabunda vaca dos infernos? Zuleide pede desculpas e desliga.


Preciso do Lexapro mas ele acabou há semanas, igual meu amor. E agora, de repente, preciso tanto dos dois novamente.


Você acha que ele está com alguém? Não sei, Tati, eu ainda tô dormindo, posso te ligar mais tarde? Você acha que ele está com alguém? E se estiver, Tati, quer ir ao cinema mais tarde? Você acha que ele está com alguém? Putz, sei lá, homem sempre tá comendo alguém né? Você acha que ele está com alguém? Tati, do jeito que ele gostava de você? Claro que não!


Chega, chega. Preciso me acalmar. Pra que isso? Se ele estiver com alguém agora, e daí? Terminamos não terminamos? Ele e eu não temos nada a ver, certo? Decidimos que era melhor assim, certo? Eu não tava bem com ele e nem ele comigo, certo? Porque era bom e tal. Aliás, meu Deus, como era bom. Mas não era bom pra ficar junto, certo? Então pronto. Chega. Adulta, adulta. Qual o problema se ele estiver agora, justamente agora, lambendo a virilhazinha de alguma desgraçada? Qual o problema? Ok, eu posso morrer. Eu definitivamente posso morrer. Chega, vou acabar com essa palhaçada agora mesmo.


Tomo banho, me visto, pego a bolsa, entro no carro. Considerando que ele não mora em São Paulo, não sei exatamente o que eu pretendo com isso. Mas me faz bem enganar o cérebro e fazer de conta que estou indo atrás da verdade. Na verdade vou só na casa de outro, preciso fazer qualquer coisa que não seja sofrer, mas não consigo. O outro não conhece Black Swan, não ri da história da Zuleide, não me aperta o braço.


Volto pra casa, destruída. Sinto tanto amor dentro de mim que posso explodir e bolhas de corações vermelhas atingiriam o Japão. Quase não consigo respirar. Chega, chega. Ligo pra ele. Ele não atende. Ligo de novo. Ele atende falando baixinho. Você está com alguém? Estou. Desligamos. Pronto, agora eu já sei. Depois de um final de semana inteiro de palpitacões, descargas de adrenalina, músicas, textos, amigos, danças, gritos, sensações, assuntos, choros, dores, vida. Agora eu já sei.


O que eu nunca vou saber é porque faço tudo isso comigo só porque tenho tanto pavor do tédio. Era só isso o que eu precisava saber.


Tati Bernardi
Post Original - Tati Bernardi

 
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 06 dez
2010
  
Intimidade ou Cumplicidade? O que realmente é bom para o casal...
   por R² | Relacionamentos
 


A intimidade é sem dúvida um dos motores da paixão. Quem não gosta de sentir aquela sensação de conhecer o outro como nenhuma outra pessoa? Dizer sem precisar falar; sentir-se em casa com a outra pessoa por perto; rir com ela de alguma cena bizarra somente com o olhar; sentir-se acolhida (o) aonde quer que estejam, somente por saber que a outra pessoa está por perto...


Todas estas sensações são realmente maravilhosas. Mas, intimidade não é para qualquer um! Na medida certa, ela transcreve uma amizade deliciosa. Representa o entendimento mesmo nas situações mais adversas e é claro, sustenta e ao mesmo tempo liberta a paixão.


O problema é que tantas sensações agradáveis também podem transformá-la em uma armadilha perigosíssima para qualquer relacionamento.  Hãmmmm??? Isso mesmo! Embora a intimidade seja um ingrediente importantíssimo para a paixão, o excesso dela quebra a essência básica do erotismo. Um relacionamento consistente, nos moldes familiares, se desenvolve em um ambiente de “intimidade” e confiança. Já o erotismo precisa de um ambiente muito menos estável. O erotismo se desenvolve em meio a imprevisibilidade, alimenta-se da espontaneidade e do risco, quando entra em um ritmo de repetição, de hábito ou de regras, quando assume uma forma mais “confortável”, começa a morrer (Sexo no Cativeiro – Esther Perel). A armadilha está armada!


Exageros da Intimidade


Fazer xixi de porta aberta é o menor dos exageros da intimidade.  A intimidade fora da dose certa, leva as pessoas a revelarem, de forma banal,  todos os seus segredos mais íntimos ao outro e tem na própria intimidade, o conforto que ela nos traz, como justificativa para fazê-lo.


Desfilar pela casa sem roupa, ir ao banheiro juntos, comentar sobre uma coceirinha aqui ou ali, soltar gases na frente do outro, deixar de lado a depilação, não dar bola para a calcinha sem elástico, uma cueca puída - Peeeeeeeeelo amor! - Até assistir TV sem roupa de forma habitual pode com o tempo, desgastar o mistério e a sensação de risco, necessários para que o erotismo permaneça vivo.


Já faz algum tempo, jogando bola com amigos, um deles que havia acabado de se casar estava comentando sobre sua nova vida de casado. Outro amigo nosso comentou que ele já havia engordado um pouco e foi quando ouvi a frase mais idiota que um homem ou mulher pode dizer, referente ao relacionamento: “ .... ahhh agora já casei, não preciso mais me preocupar com isto....” Perfil típico do corno! Sabe por que? Delegou à intimidade o seu relacionamento!


Intimidade x Cumplicidade


A intimidade é necessária para aproximar as pessoas dentro de um relacionamento e favorecer a construção de momentos onde a cumplicidade possa assumir seu papel. É como se a intimidade representasse uma primeira fase de aproximação e construção. A etapa seguinte é a de um relacionamento instalado e então, a cumplicidade pode assumir sua função.


A intimidade está diretamente ligada a paixão. A paixão por sua vez é algo que não controlamos e que adoramos viver de forma intensa. Ficamos todos cegos, surdos e burros, mas extremamente felizes e vulneráveis. Estamos novamente abertos para tudo o que é novo, tal qual uma criança! Aliás, nossas atitudes passam a ser idênticas e talvez por isso nos sentimos tão livres! Adoro essa sensação!


Não necessariamente a paixão precisa partir em um relacionamento, mas sabemos que é muito difícil mantê-la! Alguns dizem que ela morre naturalmente com o tempo, outros que ela pode amadurecer e tornar-se “amor verdadeiro”! Para essas que amadurecem e sobrevivem, a cumplicidade passa a ser mais importante que a intimidade. Não só porque a intimidade não perde seu espaço  –  etapa vencida, mas que continua ali – mas porque a cumplicidade, diferentemente da intimidade, agrega responsabilidade as escolhas do casal.


O termo é cumplicidade! Tal qual no dicionário Aurélio:


Cúmplice: 1. Quem tomou parte num delito ou crime 2. Quem colabora em, ou participa com outrem de algum fato; parceiro § cum.pli.ci.da.de sf


Não me refiro àquela cumplicidade passiva ou de submissão, onde um acompanha o outro por pura falta de conteúdo crítico ou por querer esquivar-se de conflitos. Estou falando da cumplicidade verdadeira, onde o crescimento de um é compartilhado com o outro. Falo da cumplicidade que garante a autonomia para opinar, orientar e participar de forma sincera das escolhas do outro, até porque é provável que isso nos afete direta ou indiretamente. Quando falamos de autonomia, a responsabilidade surge automaticamente para ambos partilharem os fracassos e as glórias dos caminhos escolhidos.


Acho fantástico que a definição literária da palavra inclua a questão criminal, porque cumplicidade também implica em transgressões, sejam elas de ordem moral, financeira, sexual, social ou de qualquer outra. A cumplicidade numa relação trata de ideias, desejos, fantasias, inspirações, sonhos de um, do outro ou de ambos e das responsabilidades que estas realizações trazem. Portanto, cabe a cada parte do casal contribuir, orientar, partilhar, ensinar, tornar realidade, impedir ou simplesmente optar por não se tornar cúmplice do outro para uma determinada questão ou todas elas.


Para se chegar a cumplicidade é necessário que tenhamos acumulado intimidade. Claro! Precisamos nos sentir confortáveis para conversar com a outra metade do casal, abrindo nossos planos pessoais, estratégias profissionais, ambições, fantasias sexuais e mais. Sem a intimidade não conseguimos chegar a cumplicidade! E sem a cumplicidade não há como experimentar a vida em conjunto, ela sempre será vivida de forma solitária, com possibilidades reduzidas de aprendizado e troca com o outro, ainda que exista a intimidade entre o casal.


A cumplicidade envolve escolhas e responsabilidades e o risco é inerente. Onde há risco não existe uma sensação plena de conforto. Por estas razões ao invés de investir ou cair na armadilha de uma intimidade sem limites, invista na construção da cumplicidade, por meio da própria intimidade.


A cumplicidade verdadeira nada mais é do que o amadurecimento da intimidade sem compromisso. É a transformação de um sonho único em um projeto a dois.

 
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