06 dez
2010
  
Intimidade ou Cumplicidade? O que realmente é bom para o casal...
   por R² | Relacionamentos
 


A intimidade é sem dúvida um dos motores da paixão. Quem não gosta de sentir aquela sensação de conhecer o outro como nenhuma outra pessoa? Dizer sem precisar falar; sentir-se em casa com a outra pessoa por perto; rir com ela de alguma cena bizarra somente com o olhar; sentir-se acolhida (o) aonde quer que estejam, somente por saber que a outra pessoa está por perto...


Todas estas sensações são realmente maravilhosas. Mas, intimidade não é para qualquer um! Na medida certa, ela transcreve uma amizade deliciosa. Representa o entendimento mesmo nas situações mais adversas e é claro, sustenta e ao mesmo tempo liberta a paixão.


O problema é que tantas sensações agradáveis também podem transformá-la em uma armadilha perigosíssima para qualquer relacionamento.  Hãmmmm??? Isso mesmo! Embora a intimidade seja um ingrediente importantíssimo para a paixão, o excesso dela quebra a essência básica do erotismo. Um relacionamento consistente, nos moldes familiares, se desenvolve em um ambiente de “intimidade” e confiança. Já o erotismo precisa de um ambiente muito menos estável. O erotismo se desenvolve em meio a imprevisibilidade, alimenta-se da espontaneidade e do risco, quando entra em um ritmo de repetição, de hábito ou de regras, quando assume uma forma mais “confortável”, começa a morrer (Sexo no Cativeiro – Esther Perel). A armadilha está armada!


Exageros da Intimidade


Fazer xixi de porta aberta é o menor dos exageros da intimidade.  A intimidade fora da dose certa, leva as pessoas a revelarem, de forma banal,  todos os seus segredos mais íntimos ao outro e tem na própria intimidade, o conforto que ela nos traz, como justificativa para fazê-lo.


Desfilar pela casa sem roupa, ir ao banheiro juntos, comentar sobre uma coceirinha aqui ou ali, soltar gases na frente do outro, deixar de lado a depilação, não dar bola para a calcinha sem elástico, uma cueca puída - Peeeeeeeeelo amor! - Até assistir TV sem roupa de forma habitual pode com o tempo, desgastar o mistério e a sensação de risco, necessários para que o erotismo permaneça vivo.


Já faz algum tempo, jogando bola com amigos, um deles que havia acabado de se casar estava comentando sobre sua nova vida de casado. Outro amigo nosso comentou que ele já havia engordado um pouco e foi quando ouvi a frase mais idiota que um homem ou mulher pode dizer, referente ao relacionamento: “ .... ahhh agora já casei, não preciso mais me preocupar com isto....” Perfil típico do corno! Sabe por que? Delegou à intimidade o seu relacionamento!


Intimidade x Cumplicidade


A intimidade é necessária para aproximar as pessoas dentro de um relacionamento e favorecer a construção de momentos onde a cumplicidade possa assumir seu papel. É como se a intimidade representasse uma primeira fase de aproximação e construção. A etapa seguinte é a de um relacionamento instalado e então, a cumplicidade pode assumir sua função.


A intimidade está diretamente ligada a paixão. A paixão por sua vez é algo que não controlamos e que adoramos viver de forma intensa. Ficamos todos cegos, surdos e burros, mas extremamente felizes e vulneráveis. Estamos novamente abertos para tudo o que é novo, tal qual uma criança! Aliás, nossas atitudes passam a ser idênticas e talvez por isso nos sentimos tão livres! Adoro essa sensação!


Não necessariamente a paixão precisa partir em um relacionamento, mas sabemos que é muito difícil mantê-la! Alguns dizem que ela morre naturalmente com o tempo, outros que ela pode amadurecer e tornar-se “amor verdadeiro”! Para essas que amadurecem e sobrevivem, a cumplicidade passa a ser mais importante que a intimidade. Não só porque a intimidade não perde seu espaço  –  etapa vencida, mas que continua ali – mas porque a cumplicidade, diferentemente da intimidade, agrega responsabilidade as escolhas do casal.


O termo é cumplicidade! Tal qual no dicionário Aurélio:


Cúmplice: 1. Quem tomou parte num delito ou crime 2. Quem colabora em, ou participa com outrem de algum fato; parceiro § cum.pli.ci.da.de sf


Não me refiro àquela cumplicidade passiva ou de submissão, onde um acompanha o outro por pura falta de conteúdo crítico ou por querer esquivar-se de conflitos. Estou falando da cumplicidade verdadeira, onde o crescimento de um é compartilhado com o outro. Falo da cumplicidade que garante a autonomia para opinar, orientar e participar de forma sincera das escolhas do outro, até porque é provável que isso nos afete direta ou indiretamente. Quando falamos de autonomia, a responsabilidade surge automaticamente para ambos partilharem os fracassos e as glórias dos caminhos escolhidos.


Acho fantástico que a definição literária da palavra inclua a questão criminal, porque cumplicidade também implica em transgressões, sejam elas de ordem moral, financeira, sexual, social ou de qualquer outra. A cumplicidade numa relação trata de ideias, desejos, fantasias, inspirações, sonhos de um, do outro ou de ambos e das responsabilidades que estas realizações trazem. Portanto, cabe a cada parte do casal contribuir, orientar, partilhar, ensinar, tornar realidade, impedir ou simplesmente optar por não se tornar cúmplice do outro para uma determinada questão ou todas elas.


Para se chegar a cumplicidade é necessário que tenhamos acumulado intimidade. Claro! Precisamos nos sentir confortáveis para conversar com a outra metade do casal, abrindo nossos planos pessoais, estratégias profissionais, ambições, fantasias sexuais e mais. Sem a intimidade não conseguimos chegar a cumplicidade! E sem a cumplicidade não há como experimentar a vida em conjunto, ela sempre será vivida de forma solitária, com possibilidades reduzidas de aprendizado e troca com o outro, ainda que exista a intimidade entre o casal.


A cumplicidade envolve escolhas e responsabilidades e o risco é inerente. Onde há risco não existe uma sensação plena de conforto. Por estas razões ao invés de investir ou cair na armadilha de uma intimidade sem limites, invista na construção da cumplicidade, por meio da própria intimidade.


A cumplicidade verdadeira nada mais é do que o amadurecimento da intimidade sem compromisso. É a transformação de um sonho único em um projeto a dois.

 
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Comentários(1)
 
Diane
15/12/2010
22:30


""Estou falando da cumplicidade verdadeira, onde o crescimento de um é compartilhado com o outro."

Acredito nisso, sabe? Relacionamento é (ou deveria ser) um processo de aprendizado, um encontro de afinidades, um brinde por sentir-se bem, apto a apaixonar-se e ser feliz. E isso tudo implica num movimento e crescimento e por se tratar de duas pessoas (ou mais, não posso excluir essa possibilidade depois de ter conhecido parte de um trio que deu certo por um tempo) o crescimento é compartilhado e essa delícia de cumplicidade que nasce desse compartilhar de saltos na espiral da existência têm me fascinado...

Li uma frase em livro que diz "Se a vida é uma escola, o relacionamento é a sua universidade." É isso, nos encontros que damos verdadeiros saltos, nos desencontros, nos picos e nos vales... curtindo, amando, sendo feliz e também chorando, sofrendo, e seguindo!

Que delícia viver."

    


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